sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Folias felinianas

Gente, não é por nada, não. Mas já repararam quanto eu cresci? Pois é... Meu pai que o diga. Agora, basta espichar as patas dianteiras, flexionar as traseiras, pegar impulso e ... voilá! Salto e subo onde quero. Adoro ficar dentro das pias, escalar os tecidos das paredes e, sobretudo, me equilibrar na ponta das estantes. Outro dia descobri o abajur de cabeceira. É uma delícia ficar brincando de passar por dentro dele ... Aliás, bem ao lado desta coisa de forma redonda tem uns potinhos de metal, que servem para abrigar a coleção de minilápis do meu pai. Lógico que eu adoro ficar mordendo cada um deles e, depois, derrubar tudo no chão e sair correndo em disparada assim que ele ouve o estardalhaço que eu provoco. Lógico que meu pai fica bravo. Esbraveja, me chama de trombadinha, diz que eu não passo de um vira-lata, que eu não aprendo as boas maneiras que ele insiste em me ensinar e por aí vai. Fazer o quê? Sou assim mesmo. É da minha natureza.  Porém, como não tem acordo, dou as costas e sigo revirando tapetes, taças de cristal e outros atraentes objetos de decoração. Conclusão? Acabo ficando alguns minutos de castigo na minha jaulinha. Liberdade para os gatos, já!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Memórias do cárcere

Comecei 2011 com a macaca. Melhor dizendo, com espírito de porco. Acho que a minha troca de dentes (tenho apenas três meses e meio) está ativando meu instinto feliniano. Só pode ser isso! Até poucas semanas, era manhoso, chorão, dorminhoco .... Era, eu disse. Tudo isso, agora, é passado. Acho que estou crescendo e mudando de personalidade. Agora, não resisto a arranhar a perna do meu pai quando ele passa na minha frente. Fico à espreita, escondido atrás do balcão da cozinha, esperando ele passar para pular e abraçar a perna dele com todas as minhas garras (que precisam urgentemente ser cortadas). Além disso, aprendi a  pular para o alto. Adoro subir na pia, me esconder dentro do guarda-roupa e, sobretudo, ficar puxando os bibelôs das estantes até caírem no chão. Quando caem, saio correndo e vou me esconder atrás da cadeira de balanço. Como não tem outro gato em casa, a culpa é sempre minha. Resultado: sou pinçado por meu pai pela nuca e, uma vez imobilizado, vou direto para a minha solitária, onde fico enjaulado de castigo. Olhem só a minha cara de presidiário....Cadê os direitos humanos do gato? Ibama, por onde anda? Socorro!

Piná, a pérola negra

Sedutora, enigmática e muito misteriosa. Assim é Piná, uma gata negra que acha que é gente. Pode uma coisa dessas? O melhor de tudo é que ela é muito dona do próprio nariz (digo, focinho). Até mesmo com a Fátima, que é sua meio-irmã, ela resmunga e só dá o ar da graça quando deseja. Deve ser prima, em versão black, da Sofia, a perturbada da Praça Roosevelt. Olhem só a cara de empáfia que ela tem.... 

sábado, 25 de dezembro de 2010

Ressaca de Natal

Quanto tempo, né?! Pois é, tenho andado meio preguiçoso, para não dizer desligado (mas aí já iriam me acusar de plágio). Nesses dias de calor e temporal, é da cama para o terraço, do terraço para o pipicat, do pipicat para a varanda e por aí vai. Minha rotina de felino só se quebra de noite, quando meu pai volta do trabalho (e do bar). Aí eu pego fogo. Corro, pulo, reviro no chão, dou piruetas, mordo o pé dele, subo na pia, pulo para o balcão da cozinha...Haja fôlego! Mas, hoje, acordei ressacado. Me falaram que é o tal do porre por osmose. Meu pai é que bebe e eu que fico grogue. Pode uma coisa dessas? Assim que ele abriu a porta do terraço, nem corri para fora. Sabe quando a luz dói? Ao dar de cara com a claridade, minha retina se contraiu rapidamente, igual a diafragma de máquina fotográfica. Voltei para o sofá e espero passar o tempo todo vendo o dia pela janela. E tomando muita água, lógico, porque fígado de gato também não é de ferro. Mamma mia ....

domingo, 5 de dezembro de 2010

O sorriso do capeta

Depois do banho, fiquei para lá de encapetado. Acho que para compensar todo o estresse, um espírito de porco baixou em mim. Reparem só a minha cara de possuído e sacana na primeira foto ... Pareço  personagem de filme de terror.  Virei uma peste...Coloquei para fora minhas garrinhas de fera!

Banho: suplício de um gato escândalo

Podem falar o que quiser. Que é saudável, que faz parte da higiene, que deixa os pelos mais bonitos e outras balelas. Para nós, felinos, nada disso justifica a tortura de um banho. Mas não tive escapatória. Meu pai botou na cabeça que era hora de tomar meu primeiro banho oficial e lá fui eu para a Totó & Bichano. Para me distrair, ele fez umas paradas no percurso até a pet shop. Simpático que sou, fui de colo em colo, num verdadeiro rodízio de paparicos com a Renata, a dona Gilda, a tia Ângela (mãe da Sofia, a perturbada da praça), a Norah, a Geralda e a Fátima. Distribuí sorrisos (e pulgas) para todas. Assim que deu uma da tarde, segui, dentro da minha caixa de viagem, para a tal lavagem. Os funcionários brincaram comigo, fizeram gracinhas e, quando eu menos esperava, já estava dentro de um gélido e inexpressivo tanque metálico. Aí não deu outra: quanto mais me molhavam e esfregavam, mais eu esperneava e berrava, armando um escândalo incomparável. Não sei como não fiquei rouco. Todo mundo que passava pela calçada ouvia minha gritaria. Ainda bem que a dra.Vivi aparou minhas unhas antes do suplício, pois, do contrário, o lavador de gato tinha ficado sem braço. Foi uma tortura sem fim em longos e intermináveis 50 minutos. E nem adiantaram os elogios da Luciana (a japa girl) à minha beleza quando fiquei todo fofinho e cheiroso após esta terrível tormenta. Nada justifica tamanha maldade com um gatinho que ficou, literalmente, de alma lavada para todas as minhas sete vidas. Palavra de Odorico!